_de volta ao meu aconchego

Eu nunca quis um blog estilo “querido diário”. Precisaria passar muitas vezes na fila da transparência ou criar um pseudônimo bastante convincente para poder expor minha vida na internet. A fila da transparência eu já perdi, e provavelmente ela ficava bem ao lado da fila da genialidade literária. Sem diarinhos, portanto.
Mas também estou cansado de ter um blog “crítico”. Não sei se alguém se importa o suficiente com a minha opinião para dar sentido ao que escrevo. Existe muita gente fazendo isso, com mais técnica e mais competência.
Um dos motivos de eu ter ficado um bom tempo sem postar no PQP, é que já estava me tornando um pseudo-crítico totalmente parcial. Ficou difícil ver e ouvir coisas ruins pelo simples prazer de comentar. Talvez os meus 25 anos colaborem um pouco para que isto aconteça. Já sei do que gosto e do que não gosto. Não faz sentido perder tempo com o que não gosto.
Que isto não seja entendido como medo de experimentar. Adoro novidades, acho que isso ficou claro com tudo o que escrevi aqui e no Popular e Erudito. Depois que se faz 25, você percebe como o tempo é valioso e que deve ser gasto apenas com coisas boas. Afinal, as ruins vão aparecer de qualquer forma, não é necessário procurá-las.
Isso ta parecendo um post de despedida, então, mudemos o rumo desta prosa.
Eu não quero que o PQP se transforme em um blog “querido diário”, mas tampouco quero que continue com as pseudo-críticas. Continuo gostando de comentar sobre o que ouço, leio e vejo, mas daqui pra frente, isso virá de forma mais leve, menos lapidada, mais despretensiosa. Despretensão. Oi? Essa palavra existe? Se existir, é essa a palavra.
Há pouco mais de um mês, me chamou a atenção uma matéria da Folha de São Paulo, sobre um movimento virtual intitulado Slow Blog. Trata-se de um grupo de blogueiros que testam a paciência e a fidelidade de seus leitores, produzindo textos longos e bem elaborados, postados em ritmo desacelerado. Alguns chegam a ficar meses sem publicar.
Gostei disso. Por que minha vida é acelerada demais. Há tanta informação e tão pouco tempo para absorver. Meu pé está saindo do acelerador. É hora de ser mais humano e menos mecânico. Não que eu vá ler “Vida Simples” e comprar um cd do Coldplay, não é isso. Até porque, na minha humilde opinião, esta revista elitizada e a banda do Chris Martin são tão honestas quanto o Paulo Maluf.
Mas acho que de vez em quando faz bem colocar aquele LP antigo do Balão Mágico na vitrola empoeirada, só pra ouvir o chiado inimitável da agulha arranhando o vinil.
Não sei se o PQP vai se transformar num Slow Blog. No momento a resposta seria talvez. Escrever é uma boa terapia, e eu sou do tipo de pessoa que jamais publica um texto após lê-lo mais de duas vezes.
Acredito que o PQP será, daqui pra frente, um caderno de rascunhos. Vou tentar me expressar de uma forma divertida, como sempre fiz, mas quero me reconhecer no que escrevo. Quero usar minhas palavras, colocar as vírgulas onde eu bem entender (mesmo que esteja errado). Também quero usar mais imagens e talvez colocar algumas músicas que produzo (porcamente, mas produzo). Afinal, toda forma de expressão é válida. A linguagem escrita monopolizou os blogs. Talvez por isso os blogueiros que publicam seus desenhos, gravuras e quadrinhos tenham ganhado tanto a minha admiração.
Enfim, antes tarde do que nunca, o Pensa que é Pop volta à ativa. No mesmo endereço, com o mesmo layout, e, espero, com os mesmos leitores. Afinal, eu é que mudei. A questão aqui é: faz alguma diferença?

1 comentários:

Marina disse...

Esse é o velho Jeff que ainda conheço?
Se for, já tô gostando.

Tô pronta pra te ler. beijos